Juventude Rural x Pandemia
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Foto: Comissão de Jovens Multiplicadore/as da Agroecologia – CJMA
Juventude Rural x Pandemia
A visão de um jovem sobre o contexto atual e a realidade da juventude do campo
Por Laércio Rodrigues, camponês e pós-graduando em gestão ambiental pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB)
Nossas vivências e experiências enquanto pessoas são influenciadas diretamente pelo lugar onde vivemos e construímos nossa história. A população rural possui características próprias no seu estilo de vida, além de uma dinâmica de trabalho diferente das pessoas que vivem nas cidades e metrópoles do país.
Desde cedo aprendemos com nossos pais a cultura do cultivo que é passado de geração em geração. Há séculos, nossos povos sobrevivem do plantio e colheita de grãos, modo de produção que depende dos ciclos regulares de chuvas na região. Devido às características naturais do semiárido brasileiro, o homem do campo enfrenta o dilema das secas, que ainda causa muito transtorno devido à falta de preparo, para a convivência com os períodos de escassez hídrica.
Ser um jovem que nasceu e criou-se numa comunidade rural, de um pequeno município no interior do sertão pernambucano desperta vários questionamentos sobre o seu futuro profissional e o modo de vida que almeja para sua família. Quais são as perspectivas, visto que ser um jovem agricultor e continuar a história familiar não oferece a garantia de uma vida confortável?
Qual rumo seguir no seu futuro, se seus amigos mais velhos migram para outros estados no sul e sudeste, para serem mão de obra barata no corte de cana e na construção civil? Bom, nunca é fácil crescer e tomar novos rumos. Sair de casa e deixar sua família, contudo é necessário quando queremos alcançar novos voos.
Devido às políticas de interiorização dos Institutos Federais de Tecnologia e Universidades Federais, consegui ingressar num Instituto Federal da Paraíba, lá fiz o curso Técnico em Edificações e o superior em Gestão Ambiental e agora estou concluindo uma pós-draduação na mesma área da graduação.
O apoio da minha família e os auxílios estudantis garantiram a minha formação e vida em outro município. Lá foi possível me capacitar para construir o profissional que almejo ser, sabendo das minhas raízes, meus desafios e tudo que ainda há por vir, é certo que minha força está na identidade rural. A força e a resiliência que aprendi com a vida em comunidade.
A pandemia veio num momento delicado, trazendo muita instabilidade e insegurança para as pessoas. A incerteza de uma renda causou muito desconforto na população, visto a paralisação dos comércios e das escolas e demais serviços não essenciais. O novo modelo de ensino remoto prejudicou principalmente as classes mais pobres e os estudantes de comunidades rurais sem acesso à internet.
É complicado entendermos como serão as soluções encontradas pelos jovens das comunidades rurais, que além dos desafios que já enfrentamos normalmente, devemos criar meios para superar as problemáticas vindas com a pandemia do coronavírus. É necessário que a gente crie estratégias para termos renda sem precisar abandonar as comunidades rurais. E só assim, garantiremos a continuidade de vida no campo.
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