Seca extrema em Pernambuco aprofunda vulnerabilidades da agricultura familiar no Semiárido e na Caatinga

Relatório da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) aponta que a seca extrema já atinge cerca de 31,5% dos municípios de Pernambuco, com maior incidência no Sertão e no Agreste. Ao todo, 58 municípios enfrentam situação crítica, marcada por riscos de perda de safras, mortandade animal e escassez severa de água, colocando em ameaça direta a subsistência de milhares de famílias que dependem da agricultura familiar.
A intensificação da estiagem afeta de forma direta sistemas produtivos baseados em culturas de subsistência e pequenos rebanhos, geralmente com baixa infraestrutura de irrigação. A redução das chuvas, associada ao aumento da evapotranspiração, compromete solos, pastagens e reservatórios, resultando em perdas produtivas, aumento dos custos e fragilização da renda das famílias agricultoras, já historicamente vulnerabilizadas pelos efeitos das mudanças climáticas.
Desde 31 de dezembro, o Governo de Pernambuco decretou situação de emergência em 107 municípios por 180 dias, com o objetivo de mitigar os impactos da seca hidrológica sobre os reservatórios e o abastecimento de água. Além dos prejuízos produtivos, a estiagem compromete a segurança alimentar das famílias do campo, aumenta a dependência do mercado e da oscilação de preços e intensifica processos migratórios, especialmente entre jovens, ameaçando a permanência das comunidades rurais e a reprodução social e cultural no território.
Para Maria Cristina Aureliano, coordenadora geral do Centro Sabiá, organização que trabalha com assessoria técnica nos territórios onde a estiagem tem se agravado, a seca extrema evidencia um modelo de política que ainda responde ao Semiárido com ações emergenciais e pouco estruturantes. “A agricultura familiar não precisa de soluções improvisadas, mas de políticas permanentes de Convivência com o Semiárido, que garantam acesso à água, apoio técnico contínuo e segurança hídrica para o povo”.
O Centro Sabiá também reforça que experiências baseadas em tecnologias sociais, agroecologia e assistência técnica demonstram que é possível produzir alimentos, gerar renda e conservar a Caatinga mesmo em períodos de estiagem. “Em territórios onde a Caatinga foi restaurada, com sistemas agroflorestais, as nascentes continuam com água, mantendo a produção e a segurança alimentar das famílias agricultoras. Fortalecer a agricultura familiar é uma estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas, de combate à fome e de defesa do bioma.”, afirma Maria Cristina.
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