I Curso de Juventude e Sucessão Rural: formação que fortalece o futuro no campo

Por Vitor Diego
Jovem pedagogo e multiplicador da agroecologia

Foto: Comissão de Jovens Multiplicadores da Agroecologia – CJMA

Nos dias 9 e 10 de março de 2026, aconteceram, em Brasília (DF), as aulas do primeiro módulo do I Curso de Juventude e Sucessão Rural. A iniciativa é inédita e tem como foco preparar jovens do campo para assumir papéis de liderança, garantir a continuidade da agricultura familiar e fortalecer suas comunidades rurais.

Promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e outras instituições, o curso conta também com o apoio técnico da FLACSO Brasil, instituição reconhecida por sua atuação na área de formação e pesquisa social.

O curso tem como proposta:

  • valorizar a diversidade das juventudes rurais brasileiras;
  • promover a permanência dos jovens no campo, nas águas e nas florestas;
  • incentivar a sucessão rural, preparando os jovens para assumir a gestão, o planejamento e a inovação nas propriedades familiares.
Foto: Comissão de Jovens Multiplicadores da Agroecologia – CJMA

A formação responde a uma demanda histórica de movimentos sociais e organizações rurais por iniciativas voltadas à sucessão rural e ao protagonismo juvenil. Além disso, integra o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, que articula políticas públicas para garantir acesso à terra, crédito, educação e direitos sociais.

Destinado a jovens, com prioridade para integrantes de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs), juventudes negras e LGBTQIAPN+, o curso tem duração de 96 horas e ocorre em formato híbrido, com encontros presenciais e aulas on-line.

A participação dos jovens no meio rural é fundamental para a continuidade das atividades produtivas, além de promover a inovação, fortalecer as comunidades e garantir um futuro sustentável. Investir na capacitação desses jovens contribui para:

  • ampliar o acesso a novas tecnologias e práticas produtivas;
  • fortalecer a autonomia econômica e social das famílias rurais;
  • promover justiça social e inclusão em territórios historicamente marginalizados;
  • combater o êxodo rural, incentivando a permanência das novas gerações no campo.

O conteúdo pedagógico foi dividido em cinco módulos, pensados para formar os jovens de maneira ampla e integrada, com aulas híbridas programadas até meados de maio:

  1. Juventudes do campo: identidades e projetos de vida
    Explora como a experiência de ser jovem no meio rural molda valores, sonhos e perspectivas profissionais.
  2. Território: lugar de vida
    Aborda a importância do território como espaço de produção, convivência e identidade.
  3. Novas tecnologias e políticas públicas
    Apresenta ferramentas tecnológicas e explica como as políticas públicas podem beneficiar a juventude e a agricultura familiar.
  4. Gestão e planejamento da sucessão rural
    Ensina estratégias para planejar a transição da propriedade, com foco em administração eficiente e geração de renda.
  5. Educação popular e processos educativos formativos
    Discute metodologias que valorizam saberes tradicionais e perspectivas coletivas no campo.

O curso reúne jovens de diferentes regiões do Brasil e também de outros países da América do Sul, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento de laços entre comunidades rurais. Os participantes destacam que esse tipo de formação amplia horizontes, fortalece identidades e cria redes de apoio que vão além das fronteiras familiares.

Ao capacitar os jovens para compreender, inovar e transformar a realidade do meio rural, iniciativas como essa contribuem diretamente para a construção de um campo mais resiliente, produtivo e justo para as próximas gerações.

David Wilkerson, 18 anos, natural de Lagoa de Itaenga (PE) e membro da Associação Conexão Social, relata: “participar do primeiro módulo do Curso de Juventude e Sucessão Rural foi uma experiência transformadora. Ao longo das aulas, pude entender a importância de assumir o papel de liderança no campo e de garantir a continuidade das propriedades rurais familiares. O que mais me marcou foi a troca de experiências com outros jovens de diferentes regiões, todos com a mesma vontade de inovar e melhorar a realidade no campo. Cada módulo será essencial para me preparar para o futuro da minha propriedade e da minha comunidade. Além disso, compreender a sucessão rural como um processo planejado e consciente foi um divisor de águas”.

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