Transição agroecológica e soberania nos quintais produtivos das mulheres do Semiárido 

Por Rivaneide Almeida
Coordenadora territorial do Centro Sabiá

Foto: Ana Mendes | Acervo Centro Sabiá

Impossível pensar a transição agroecológica no Semiárido sem a participação ativa e protagonista das mulheres agricultoras: elas são pioneiras na adoção de práticas agroecológicas, pois já as vivenciam no dia a dia, na criação de pequenos animais, no cuidado com a água e nos quintais produtivos pelos quais são responsáveis. 

Os quintais são espaços estratégicos para produzir comida de verdade, fortalecer a soberania e promover a segurança alimentar. Nesse sentido, a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) desenvolvida no projeto Quintais para a Soberania, a partir da parceria entre o Centro Sabiá (PE) e o CETRA (CE), fortalece e amplia práticas que já fazem parte da experiência cotidiana dessas agricultoras em diversos territórios e biomas de Pernambuco e do Ceará.

A partir de metodologias participativas, a ATER agroecológica e feminista reconhece e valoriza os conhecimentos locais, promovendo intercâmbios de saberes, o debate da divisão justa do trabalho doméstico, a experimentação de tecnologias sociais e o planejamento produtivo dos quintais. Esse processo contribui para qualificar o manejo agroecológico, diversificar a produção de alimentos, melhorar o uso sustentável da água e do solo e, principalmente, valorizar e dar visibilidade aos espaços de trabalho das mulheres, elementos fundamentais para o bem viver no campo.

Além disso, essa nova proposta de ATER incentiva a autonomia das agricultoras ao apoiar a organização da produção, o registro das atividades produtivas e a valorização econômica do que é cultivado nos quintais por meio das Cadernetas Agroecológicas. Ao tornar visível a contribuição das mulheres para a geração de renda e para a alimentação saudável das famílias e comunidades, o papel delas nas decisões sobre a produção e a gestão dos recursos da família e do território é fortalecido. Assim, os quintais produtivos tornam-se verdadeiros espaços de inovação agroecológica, onde se articulam a biodiversidade, o cuidado com as matas nativas, a produção de alimentos saudáveis e a geração de renda. Ao apoiar esses processos, o projeto contribui para consolidar caminhos concretos de transição agroecológica nos territórios rurais, tendo as mulheres agricultoras como protagonistas na construção de sistemas produtivos mais resilientes, sustentáveis e justos.

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