Juventudes em movimento marcam presença na 3ª CNDRSS em Brasília
Por Sival Fiuza, graduando em Letras pela UFRPE/UAST, jovem multiplicador da agroecologia e integrante da Rede de Juventudes da Plataforma Semiáridos América Latina, e Roseane Alves, técnica agrícola de formação, acadêmica em Pedagogia, professora e defensora da agricultura familiar de base agroecológica

Entre os dias 24 e 27 de março, Brasília se tornou o centro dos debates sobre o futuro do Brasil rural durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CNDRSS). O evento reuniu representantes de todo o país: agricultores familiares, povos do campo, das águas e das florestas, movimentos sociais, pesquisadores e, de forma muito expressiva, as juventudes rurais.
Ao longo dos quatro dias de programação intensa, foram realizados debates, plenárias e Grupos de Trabalho (GTs) que discutiram propostas fundamentais para o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável brasileiro. A conferência reafirmou seu papel como um espaço democrático de construção coletiva, onde diferentes vozes se encontram para pensar caminhos mais justos, inclusivos e sustentáveis para o país.
A participação da juventude foi destaque no evento. Jovens de diversas regiões do Brasil ocuparam os espaços de decisão, contribuindo com propostas, experiências e perspectivas que reforçam a importância da sucessão rural, da permanência digna no campo e da construção de um futuro baseado na agroecologia e na justiça social. A CJMA (Comissão de Jovens Multiplicadores da Agroecologia) teve atuação nos debates, especialmente em dois importantes espaços:
Eixo 1 – Fortalecimento da Agricultura Familiar, Agroecologia e Mudanças Climáticas
GT 03 – ATER, pesquisa e inovação para a transição agroecológica. Neste grupo, foram discutidas estratégias para consolidar a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER), fortalecer o SUATER e promover a pesquisa aplicada, a educação ambiental e o desenvolvimento de tecnologias sociais adaptadas aos diferentes biomas.
Eixo 5 – Cidadania e Bem Viver no campo, nas águas e nas florestas
GT 11 – Educação do campo e formação técnica. O debate destacou a educação como um direito fundamental, da alfabetização ao ensino superior, sendo essencial para garantir a permanência das juventudes no campo e fortalecer a sucessão rural.
Sival Fiuza, delegado eleito na etapa setorial de juventude, representando a CJMA e as juventudes brasileiras do campo, das águas e das florestas, afirma: “somos fruto de um Brasil rural que resiste todos os dias. Um Brasil que planta, que cuida, que preserva e que alimenta. Um Brasil que acredita na agroecologia como caminho de vida, como prática de cuidado com a terra e com as pessoas. É nesse contexto que nossa participação nos grupos de trabalho, especialmente no debate sobre ATER, pesquisa e inovação para a transição agroecológica, reforça que não existe futuro possível sem investimento em conhecimento, em tecnologia social e no fortalecimento das comunidades.
A luta contra as mudanças climáticas passa diretamente pela valorização da agricultura familiar e pela transição agroecológica. Não há justiça climática sem justiça social. E estamos aqui para dizer que não aceitaremos retrocessos. Seguiremos firmes, organizados e em movimento.”
Na mesma direção, a delegada eleita na etapa setorial de juventude, Roseane Alves, reforça: “o Brasil rural ocupou Brasília entre os dias 24 e 27 de março para mostrar a força de um povo organizado que não foge da luta. O Brasil rural não é o do agronegócio predador; é aquele formado pelo agricultor familiar que abastece o PNAE e o PAA, é o da dona de casa que cuida do seu quintal produtivo e garante comida de verdade na mesa de sua família, é o do agricultor agroecológico que não aceita mais que a comida chegue ao seu prato com veneno e transgênicos.
É inspirado pela força desse povo que o movimento não para: a luta continua e precisa continuar. O Brasil rural quer um país justo, livre da misoginia que tanto nos oprime, livre de toda e qualquer forma de opressão. Por isso, é tão importante que lutemos, que nossa voz ecoe cada vez mais por liberdade e por paridade. Essa é a luta de tantos movimentos que dão vez e voz, como a CJMA, que me convidou a conhecer a agricultura familiar com outros olhos e me possibilitou ocupar esse espaço nesta conferência tão grandiosa, grandiosa por sua força, pelo momento histórico que vivemos e por termos um líder humano e sensível à nossa causa, como o presidente Lula.
É inenarrável o orgulho de vivenciar este momento tão singular na transição agroecológica em nosso país. Unidos, venceremos os desafios que surgirem.
Não nos calaremos, não recuaremos! Viva o Brasil rural, viva a agroecologia!”
A 3ª CNDRSS reafirma que não há desenvolvimento rural sem a participação ativa das juventudes. São elas que trazem inovação, continuidade e força política para garantir que o campo, as águas e as florestas sigam vivos, produtivos e sustentáveis para as próximas gerações.
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